Alô, Baixo Augusta!

O ano 2010 marca o nascimento de mais uma agremiação carnavalesca paulistana. Desta vez, moderna e conectada. Página no Facebook anuncia: “Acadêmicos do Baixo Augusta surge para celebrar a diversidade e a revitalização da região”.

O entorno da rua Augusta, centro, vem mudando de ares pela presença de  novos bares, casas noturnas e de espetáculos (como o
Studio SP, sede do bloco). Cultura dita “alternativa” caracteriza esses espaços e seus freqüentadores. Neste carnaval, são os antenados que reveem a tradição dos cordões e prometem congregar a comunidade. “O Baixo Augusta é cultura e mistura”, animam os organizadores.

Mas o principal elemento agregador dos foliões é a rede de relacionamentos. “No Facebook a história deu uma mega bombada”, diz Leo Madeira, um dos fundadores do bloco. “Já tem 2 mil fãs o que começou com 20 amigos. Mas antes disso, a ideia do bloco se espalhou no boca-a-boca, entre os amigos e amigos dos amigos.”

Carnaval paulista

Em
Laranja-da-China (1928), Alcântara Machado desdenha o desanimado carnaval paulistano: “Domingo carnavalesco. Serpentinas nos fios da Light. (...) O único alegre era o gordo vestido de mulher. (...) Italianinhas de braço dado com a irmã casada atrás. O sorriso agradecido das meninas feias bisnagadas. Fileira de bondes vazios. Isso é que é alegria? Carnaval paulista”.

Cerca de 80 anos depois, a animação anunciada dos “Acadêmicos do Baixo Augusta”, além de mais 30 blocos, bandas e cordões espalhados pela cidade, vem dizer o contrário. O bloco parece ser uma força-tarefa, ação-diversão entre amigos boêmios. “A cuíca vai chorar de emoção na região mais agitada da cidade”, diz a divulgação. A presidência alerta que o bloco é aberto a todos, “é só chegar”.

O bloco sai neste domingo (07/02), em concentração a partir das 14h em frente ao bar Sonique, na rua Bela Cintra. Em seu
blog, Marcelo Rubens Paiva (o porta-estandarte), ironiza que sai no domingo anterior ao carnaval porque é de “playboys” que viajam na festa. “Garanto que a maioria do bloco estará em Trancoso ou Olinda durante o Carnaval”, diz o texto.

O logo foi criado por Alê Lucas e equipe. O samba original é criação coletiva. “O refrão Apavora mas não assusta nasceu junto com a própria ideia do bloco, em agosto”, conta Leo Madeira, co-autor com  Alexandre Youssef, Plinio Profeta e Edu Krieger. Na gravação, Simoninha defende o samba da “Terra da mistura”.



Faça chuva ou faça sol, “Acadêmicos da Rua Augusta” já ganhou.



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