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Mano carcamano: Kiko Dinucci na boca dos outros

Kiko Dinucci: quarto álbum de carreira reúne 14 canções interpretadas por figuras como Mauricio Pereira, Fabiana Cozza e Suzana Salles. Jozzu
Ele é natural da Pompeia, cresceu em Guarulhos, mas encontrou nos ares do Bixiga e da Barra Funda muito de sua inspiração. Sua canção faz referência à estética do samba clássico paulista (Adoniran, Geraldo Filme, Vanzolini). “Eu lia os textos do Tinhorão, fazia força pra fazer samba puro, mas o violão já estava contaminado por outras influências” (leia-se Black Sabbath, por exemplo).
Lírico e de pavio curto, Kiko Dinucci é autor ponta-de-lança. Na boca dos outros, quarto álbum de carreira, traz 14 canções escritas com violão a partir de 1998.
“Hoje o compositor tem que aparecer”, diz Kiko se referindo à regra de que o autor contemporâneo geralmente é o intérprete de suas obras. Na contramão, Dinucci em sua “síndrome da era do rádio” resolve escolher a dedo seus intérpretes, inaugurando a “ditadura do compositor”, em que ele próprio escolhe quem canta o quê.
E o faz muito bem. Na boca dos outros revela uma gama de vozes em torno do autor (cantores “profissionais” ou não) em canções que parecem ter sido escritas sob medida para cada intérprete.
Na realidade, a maior parte das canções já existia. “Eu tinha as músicas e acabei distribuindo de acordo com a personalidade das pessoas”. Os arranjos - “pós Tom Jobim” - tão importantes quanto as próprias canções, foram recriados a partir dos intérpretes.
Quase todas as músicas são do então “tímido” autor recolhido. Os poucos parceiros de composição são Douglas Germano, Jonathan Silva e Carlos Zimbher. Fabiana Cozza, Mauricio Pereira, Juçara Marçal (com quem já havia lançado os afro-sambas de Padê), Bruno Morais e Suzana Salles, são algumas das bocas a que o título se refere.
Carcamano Dinucci é afromacarrônico, como diz o nome de um de seus grupos. “No fundo, o que eu faço é sempre samba, o modelo de composição é samba”, declara o ouvinte de Noel Rosa, Ismael Silva e Chico Buarque. “Depois é que eu acabo estragando”, resume. A ideia de “estragar” diz respeito ao revestimento punk que impregna de metrópole as canções inspiradas em personagens de uma cidade que não existe mais. Nesse ponto, o mano fala mais alto. E traz personalidade ao potente compositor.
Na boca dos outros é editado pelo selo independente Desmonta. O show de lançamento será no SESC Pompeia, em São Paulo, nesta sexta-feira (05/02).
“Choro roots”, acima na voz de Karina Ninni, traz a receita da tradição e resume a verve clássica, “contaminada” por canções como “Forró do homem-bomba”, aqui interpretada por Marcelo Pretto.
Kiko Dinucci na boca dos outros deve dar o que falar.
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eltonMoliveira
RT @MROFICIAL: RT @radarcultura: JOHNNY ALF (1929-2010): Ouça três programas da Rádio Cultura Brasil sobre um (cont) http://tl.gd/dn7l1
janaasantiago
@radarcultura JOHNNY ALF (1929-2010): Ouça 3 programas da Rádio Cultura Brasil sobre um dos precursores da bossa nova. http://ven.to/66e