Estética do morro

26/11/2009 | 18H59 | Julio de Paula em Rádio Klaxon



Ele estreou na bateria-mirim da escola de samba do bairro, o Morro da Conceição, Recife. Cronista local, suas músicas começaram a se espalhar por rádios comunitárias e pelo mercado do CD pirata. Compositor há mais de uma década, por volta de 2008 ganhou espaços além-periferia. “Ele é preto, pobre, do morro e faz ‘pagode’. Tem quem goste, tem quem não goste”, diz Bruno Pedrosa, DJ e produtor pernambucano.

Melodias simples com texto direto escondem o segredo. O sucesso popular instantâneo tem a ver com raízes. Das brincadeiras de rua, da tradição das canções ingênuas, da “swingueira” (assim define o autor seu samba/pagode/afoxé).  O dia-a-dia do subúrbio é narrado por personagens como o gigolô, o “papa-frango”, as meninas de chapinha. Drogas e celulares sem crédito não escapam à pena do controverso João do Morro.

O fenômeno está na rede e nas ruas do Recife. Pronto pra ganhar o mundo. Bruno Pedrosa é responsável pelo remix que disponibilizamos aqui. “O cara está em tudo que é lugar, da carrocinha de CD pirata à pista de dança com meu remix, na progaganda de loteria na TV, em tudo que é palco, popular e granfino. Está bombando”, diz Pedrosa.

João do Morro é João arrasta-multidão.



 

DJ Pixel 3000 - Eu ouvi o mundo. Ele começava no Recife

27/02/2010 | 00H40 | Julio de Paula em Rádio Klaxon



Bastidores do movimento mangue revelam um intenso e democrático intercâmbio de músicas em plena era do vinil. Desde o final dos anos 1980, as antenas dos caranguejos captavam e faziam circular LPs de mãos em mãos. Depois veio um programa de rádio e a democratização alcançou toda Recife. Mais tarde o movimento ganhava o mundo.

Na era do mp3, o intercâmbio facilitou. Muita música está espalhada pela rede. Resta agora saber o quê escutar.

Jorge du Peixe (compositor, vocalista, designer, pensador), que nunca deixou de compartilhar músicas com seus amigos, agora ataca de DJ. E disponibiliza em podcast no
site da Nação suas playlists temáticas. Uma viagem fincada no Brasil que ganha os quatro cantos do mundo.

Suas referências estão todas lá: de Fuloresta do Samba e Jorge Ben a Fela Kuti, passando por Kraftwerk e Tom Waits. E, claro, como não poderia faltar: General Electrics e Bob Marley.

Sonzão!
 

Canção a dois: Cascatinha e Inhana, Laura e Jeneci

19/02/2010 | 16H05 | Julio de Paula em Rádio Klaxon

“No Brasil, como em Portugal, Moda possui o sentido genérico de qualquer canto, qualquer melodia, qualquer música”, diz Oneyda Alvarenga em seu tão bem editado Música popular brasileira. Mas moda também diz respeito a um tipo de canção rural do Sudeste que fez história.

Desde as origens, a moda caracterizou-se por ser invariavelmente cantada a duas vozes. Viajantes oitocentistas relatam esse costume, impregnado na alma do brasileiro. Tradição que ganha corpo a partir do final dos anos 1920 com o aparecimento das duplas caipiras que conquistam o rádio e a indústria fonográfica.

O canto a duas vozes é fato. Mas há de se considerar que algumas duplas originais ficaram pra história, como Cascatinha e Inhana, formada no início dos anos 1940. A mais perfeita afinação/combinação de vozes emociona:



Cascatinha e Inhana, dupla sertaneja marcada por cantar a fronteira do Brasil, introduzem a imagem idílica de um casal apaixonado, “unidos pelo prazer de cantar”, como diz a pesquisadora Rosa Nepomuceno. O romantismo dos “sabiás do sertão” parece revisitar os anos 2000 com Marcelo Jeneci e Laura Lavieri.

Jeneci é compositor e intérprete que veio para ficar. Suas canções são revestidas de simplicidade. Começou a compor como consequência natural – conviveu com cantores/compositores do primeiro time. Seu instrumento original é o piano, mas quando se acompanha à sanfona, cantando a duas vozes com Laura, se aproxima do universo “caipira” (ou seria um “retrô-kitch”?) e o sucesso popular é evidente.

Também “unidos pelo prazer de cantar”, Laura e Jeneci fazem o já mencionado tipo de música que fala na alma do brasileiro. Resta esperar o primeiro álbum da dupla para ouvir em alto e bom som.



 

Adeus Rosinha (When I heard the land was burning)

18/02/2010 | 11H18 | Julio de Paula em Rádio Klaxon



É fato que
David Byrne mantém uma profunda relação com o Brasil. Basta lembrar que ele já dirigiu um documentário sobre o candomblé. No campo da música, foi o responsável por tirar Tom Zé do ostracismo. Além do “gênio de Irará”, o ex-Talking Heads mantém no catálogo de sua gravadora Luaka Bop Os Mutantes e o Trio +2, além de algumas compilações nacionais.

Como cantor e produtor, colaborou em álbuns relacionados ao Brasil – dividiu os vocais com Caetano em “Onda sonora” e com Marisa Monte em “Red Hot + Rio”, para citar dois exemplos.

Em pesquisa para a próxima edição de
Veredas, me deparei com outra faceta Byrne: a de forrozeiro. Em colaboração com o Forró in the dark, quarteto brasileiro radicado em Nova York, o músico escocês emprestou sua voz para duas faixas do álbum Bonfires of São João, de 2006, incluindo o clássico "Asa branca". Enquanto o programa não vem (Veredas entra no ar na próxima segunda, dia 22), acompanhe aqui o videoclipe.


 

 

Tudo é carnaval

11/02/2010 | 14H28 | Julio de Paula em Rádio Klaxon


Alfredo Bello no carnaval do Recife, em 2005. Paulo Pereira


Ele é músico, produtor musical, agitador da cultura popular, caçador de novas/velhas sonoridades. Alfredo Bello, também conhecido como DJ Tudo, é fundador do selo Mundo Melhor, cuja filosofia está estampada no próprio nome.

Nesse momento, está embrenhado em alguma vereda nordestina, gravando o que poderá a vir a ser o primeiro e único registro da música de uma comunidade. (Perdemos contato na última terça-feira. Celular sem sinal).

Mas o que interessa agora é que DJ Tudo está preparando seu segundo álbum – Nos quintais do mundo - My communitty is humanity (com previsão de lançamento ainda no primeiro semestre de 2010).

Produzido entre Brasil, Estados Unidos, África e Europa, tem como base gravações de campo realizadas nos últimos 10 anos junto aos maracatus, afoxés, congados e maxixes, entre outros grupos.

“Criei composições ou arranjos em cima de músicas tradicionais”, explica Alfredo em seu MySpace. “Misturando com elementos da música contemporânea, como reggae, dub, jungle, funk e mais”. Mad Professor, Adrian Sherwwod, Siba, Marque Gilmore, Ameth Male e Duggy-Tee estão entre o time de colaboradores.

Em clima de carnaval, sugerimos a audição de “Gaita mestra”, faixa criada a partir do caboclinho. Nessa brincadeira pernambucana, o trio de instrumentistas eletriza com seus mantras levados a gaita, tarol e caracaxás (além das preacas do cordão). 

No ar, DJ Tudo e a versão “original” de “Gaita mestra”.




Quer saber mais? Visite
Mundo melhor e o MySpace do DJ Tudo.